Como encontrar as notas no braço do violão. Agiliza a leitura de partituras e inicia os esclarecimentos sobre a teoria da formação de acordes.
Desde muito tempo é ensinado, nos conservatórios e nas escolas de música, uma relação linear entre as notas: Dó, Dó#, Ré, Ré#, Mi, Fá, Fá#, Sol, Sol#, Lá, Lá# e Si. E sempre se levando em consideração a casa zero (corda solta) como ponto de partida.
No entanto, a forma mais clara e mais coerente de se ensinar é de maneira cruzada, criando-se pontos de partida, referenciais e outras relações mais complexas do que a mera linearidade.
Observando o desenho do braço do instrumento podemos chegar a algumas conclusões:
Em todos os casos, as notas terminadas com a letra "i" (Mi e Si) não têm sustenido e, por conseqüência lógica, as notas seguintes a elas (Fá e Dó - Podemos usar da mnemônica Fado, para nos lembrarmos dessas notas) não possuem bemóis.
Dessa forma, a corda 6 tocada livremente produz a nota Mi, caso o violão esteja afinado no tom padrão (Standard), e na primeira casa, a nota Fá. Já a 5ª corda (Lá), tocada livremente produz o seu som característico (Lá) e se pressionada na 1ª casa, produz o som Lá#, se afinado em Standard. Isso porque o Mi não possui sustenido, mas o Lá possui.
Temos que todas as notas Mi no braço do violão são ladeadas pelo Ré#, ou Mib e pelo Fá, tendo, com exceção das relações entre as cordas 3 (Sol) e 2 (Si), uma nota Lá abaixo e uma nota Si acima. Dessa forma temos que a corda 1 (Mi) tocada livremente produz a sua nota característica (Mi) e a corda de cima produz a nota Si, Já a corda 6 (também chamada de Mi), se tocada livremente (casa zero) produz a nota Mi e a corda de baixo tocada livremente produz Lá:
"tendo, (...), uma nota Lá abaixo e uma nota Si acima"
Perceba que, pelo desenho do braço do violão com as anotações dos nomes das notas, com exceção entre as cordas 3 e 2, sempre a nota Mi possui, acima um Si e abaixo um Lá. Essa exceção se dá porque a corda 2 é afinada apenas quatro semitons acima em relação à corda 3, enquanto, nas outras cordas, essa relação é de cinco semitons.
Quanto mais relações cruzadas se tiver entre as notas, tanto mais referenciais se poderá usar para encontrar facilmente uma outra nota.
Outro exemplo é a nota Dó, ladeada pelo Si e Dó#, com as notas Sol acima e Fá abaixo. Dessa forma, tendo-se a nota Dó na corda 5, casa 3, teremos acima dela, na corda 6, mesma casa 3, a nota Sol e, abaixo, na mesma casa, mas na corda 4, a nota Fá.
Apenas levando em consideração as referências verticais, só com esses dois exemplos teremos condições de identificar com mais facilidade onde estão as notas Mi, Fá, Sol, Lá, Si e Dó, como podemos ver, não foi por acaso que escolhemos esses dois exemplos.
Falta ainda relacionar o Ré. O Ré é uma das notas que possui sustenido e bemol, por isso, ele é ladeado pelo Ré bemol (ou Dó sustenido) e pelo Ré sustenido (ou Mi bemol), tendo acima a nota Lá e, abaixo, a Sol.
Essas relações são importantes para se conseguir, ao interpretar, principalmente a partitura, uma execução rápida, independente de prévios estudos do material.
Falemos agora de pontos de partida.
O primeiro ponto de partida que merece notação aqui é o principal, o das cordas soltas: De cima para baixo, da corda mais grossa à mais fina, temos: Mi, Lá, Ré, Sol, Si e Mi.
A partir desse primeiro ponto de partida e conhecendo aquela seqüência fundamental (Dó, Dó#, Ré, Ré#, Mi, Fá, Fá#, Sol, Sol#, Lá, Lá# e Si), temos:
Como podemos observar no gráfico acima, independente de qual for o nosso ponto de partida, aquela seqüência fundamental permanece inalterada, sempre vindo um Fá depois do Mi, sempre vindo um Dó# depois do Dó...
Segundo ponto de partida interessante a ser observado é o da casa 5. Sempre, ao se pressionar qualquer corda na casa 5 (exceto entre as cordas 3 e 2), ela terá o som da corda imediatamente abaixo, tanto que para se afinar um instrumento, normalmente se afina uma das cordas e as outras são afinadas fazendo essa relação entre a corda de cima na 5ª casa e a corda imediatamente abaixo. Se o instrumento estiver afinado e alguma das cordas for tocada com pressão na 5ª casa, a corda de baixo vibrará espontaneamente, com exceção da corda 3 em relação à corda 2, que é afinada pressionando a corda 3 na casa 4 e não na casa 5, como as outras.
Terceiro ponto de partida que notaremos, de suma importância, é o da casa 12.
Temos 12 semitons (Dó, Dó#, Ré, Ré#, Mi, Fá, Fá#, Sol, Sol#, Lá, Lá# e Si), por isso, tocando uma corda solta (casa zero), teremos a mesma nota, uma oitava acima, se tocarmos a mesma corda na casa 12.
Observe no gráfico desenho do braço do violão que os nomes das cordas soltas são exatamente os mesmos registros sonoros da mesma corda pressionada na casa 12. Nessa casa 12 temos o harmônico natural.
Para finalizar, fica aqui a nossa dica. O estudo das notas não se satisfaz com a seqüência de Dó, Ré, Mi, Fá... Com seus respectivos sustenidos e bemóis, mas com a assimilação das notas em sentido inverso (Si, Lá, Sol, Fá Mi, Ré, Dó) e da relação das notas com aquelas acima e abaixo. Dessa forma, se tendo muitos referenciais e estudando as notas com essa visão de conjunto, ao se executar uma partitura, ou ao se montar um acorde, teremos uma rápida percepção do que estamos fazendo e uma execução de melodias com mais presteza.
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